É com muito pesar que informamos que nosso clube e a vela brasileira perderam Axel Schmidt, um dos seus maiores nomes. Deixamos aqui nosso carinho e homenagem, através do lindo poema escrito por seu filho Anders Schmidt e do texto escrito por seu sobrinho Lars Grael.

“Vela Brasileira perde um dos seus maiores nomes. Neste domingo perdemos o Tio, professor e comandante Axel Schmidt. Filho do dinamarquês Preben Schmidt, Axel e seu irmão gêmeo Erik, foram os primeiros campeões mundiais da Vela brasileira.

Únicos a sagrarem-se Tri-Campeões Mundiais consecutivos da classe Snipe. Medalhistas de Ouro e Prata nos Jogos Pan-Americanos de 1959 e 1963 respectivamente na classe Lightning. Participaram dos Jogos Olimpicos do México 1968 e Munique em 1972. Na Vela de Oceano foi timoneiro do veleiro “Pluft” na conquista da Regata Buenos Aires – Rio. Timoneou o Pluft ainda na tradicional Admiral’s Cup na Inglaterra . Com o seu veleiro “Osprey”, Axel conquistou a Regata Santos-Rio e o Circuito Rio de Vela de Oceano.

Pai de Ingrid e Anders, Tio Axel foi abençoado por ter a melhor esposa que um marido pode ter, a inigualável Moema. Dedicou-se com o irmão a capacitar e formar os sobrinhos na Vela. Desta dedicação, vieram Torben e Lars Schmidt Grael. Foi Comodoro do centenário Rio Yacht Club (Sailing) em Niterói.

A Vela brasileira agradece ao campeão. Nós agradecemos ao mestre. Veleje em paz ⛵.”

– Texto: Lars Grael

 

“Para Axel Schmidt

Arriem as velas,
Joguem o ferro.
Hora de parar de velejar e descansar.
Na Terra.
Mas não no “oceano” lá em cima.
Lá chegou um campeão
Brasileiro, panamericano,
Três vezes mundial.
Mas, acima de tudo,
Campeão como pai e marido.
Nos ensinou tanto…
Entre broncas e muito carinho,
Ensinou a lutar pelo melhor,
A velejar, amar a natureza, amar o mar,
A ter orgulho e acreditar nos filhos,
Nos netos e na família.
Ensinou como ter paixão,
Companheirismo e devoção
Pela esposa, por minha mãe.
Um amor de Ouro,
Mais reluzente que todos os prêmios.

Sim, ele soube viver.
Sempre com coragem e raça.
Não aceitou deixar de viver
Para evitar morrer.
Apostando nos bordos certos,
Ironicamente simbolizando duas paixões,
Cambou na cara da morte
Em um infarto em primeiro lugar
Numa regata no Sul.
Cambou na cara da morte
Visitando a família,
Na natureza, no Nordeste.
E agora? Perdeu a regata?
Não! Cruzou a linha em primeiro!

Ficar na Terra sem velejar…
Isso sim seria derrota.
Seria ave na gaiola.
Lá no céu é ave livre.
Um osprey.

Mas o que é o céu?
Sou cientista e não descarto hipóteses:
Um oceano
De memórias, ideias, sentimentos,
Sinapses que conectam nossas mentes?
Um oceano de espíritos?
Talvez.
Mas seja como for o céu,
Ele estará lá velejando.
E se alguém lá fizer besteira,
Ou encher o saco dele,
Vai levar um puxão de orelha
Para não usar outro termo
Que vocês conhecem muito bem…”

– Por Anders Schmidt